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Softwares usados na Copa são os primeiros a ter selo 'made in Brazil'

 Software que será usado na Copa do Mundo, Módulo Risk Manager foi um dos primeiros a receber Certic, selo nacional de desenvolvimento no Brasil. (Foto: Divulgação/Módulo)
Plataformas receberam certificação de desenvolvimento no país. São elas; IntelleTotum, de 'grampos', e Módulo, de prevenção de riscos.

Dois programas de computador que serão utilizados na Copa do Mundo são os primeiros softwares a receberm o certificado de desenvolvimento no Brasil. As primeiras plataformas “made in Brazil” são o IntelleTotum, para interceptações telefônicas (conhecidas como “grampos”), e o Módulo Risk Manager, que compila informações para gerir grandes eventos e situações de risco.

Concedidos nesta semana, os primeiros selos, chamados de Certic, saem quase um ano e meio após o lançamento do programa nacional TI Maior, que, entre outros objetivos, procura engrossar o ecossistema de tecnologia da informação no país.

Veterano de grandes eventos, o Módulo Risk foi utilizado na Jornada Mundial da Juventude, no Panamericano e na Rio+20. Ele reúne os dados dos diversos órgãos envolvidos na segurança, processa a informação e a exibe em telões, para que os operadores tomem decisões rápidas.

Um dos primeiros a receber Certic, o selo
nacional de desenvolvimento no Brasil, o Módulo
Risk  Manager foi usado na Jornada Mundial da
Juventude e será usado na Copa do Mundo.
(Foto: Divulgação/Módulo)
Durante os jogos da Copa, por exemplo, os telões irão mostrar imagens de todas as câmeras que filmarem a localidade da partida, desde aquelas utilizadas para controle do trânsito até as que são posicionadas nos helicópteros da polícia.

“A informação muitas vezes vem de fontes distintas, que nem sempre tem um valor por si só”, diz Marlon Gaspar, diretor de desenvolvimento da carioca Módulo, responsável pelo software que será usado durante a Copa do Mundo nos centros de comando e controle das 12 cidades sede e no utilizado pelo Ministério da Justiça. Por essa solução, integrada a sistemas de radiocomunicação, vídeo e processamento de dados, o governo desembolsou R$ 244 milhões.

Grampeando redes sociais

O outro software “made in Brazil” que estará na Copa é o IntelleTotum, plataforma de interceptações telefônicas. Desenvolvido pela catarinense Dígitro, o programa é usado por vários órgãos de segurança pública e por Ministérios Públicos de todo o Brasil.

Uma das aplicações do IntelleTotum é o software Guardião, utilizado pelo Centro de Defesa Cibernética do Exército (CDCiber) para monitorar redes sociais, como o Facebook e o Twitter, em busca de informações para conter atos contra a segurança nacional.

Ao G1 o general José Carlos dos Santos, militar à frente do CDCiber, afirmou que o Guardião foi usado para monitorar as manifestações que pipocaram pelo Brasil em julho de 2013, bem como durante a Copa das Confederações e a JMJ. Em junho, quando a bola rolar, o Exército colocará o Guardião em campo.

O Certic é a credencial necessária para que empresas de software obtenham vantagens em uma licitação pública, benefício concedido nesta semana pelo governo. Com ele, os preços das empresas autenticadas recebem uma margem de preferência de 18% em relação ao das estrangeiras. Isso quer dizer que, caso tenham um software até 18% mais caro que suas concorrentes de fora do país, ainda assim podem vencer a licitação.

Espionagem

Segundo membros do governo e empresários ouvidos pelo G1, as Certics miram um problema e acabam destravando outro: ajudam a reduzir a dimensão da espionagem cibernética dos Estados Unidos, que, segundo revelações do ex-técnico da CIA Edward Snowden, chegam a forçar o acesso aos sistemas de empresas norte-americanas.

“Não é nenhuma panaceia em questão de segurança, não, mas ajuda um pouco”, diz Rafael Moreira, secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

“Acaba resvalando, porque empresas que não tem nenhum tipo de desenvolvimento no país vão acabar tendo dificuldade aqui”, diz. Para gozar do benefício de ter margens preferenciais, as empresas precisarão garantir a abertura do código, explica Moreira.

“Isso não garante que o software não tenha ‘porta dos fundos’, mas a empresa que mantiver caixas pretas terá mais dificuldades, sim”, afirma. As “portas dos fundos” são brechas nos códigos dos softwares que, segundo as revelações de Snowden, são deixadas por companhias dos EUA para que agências de segurança como a NSA aproveitem e espionem usuários.

Para Gaspar, da Módulo, a Certic "vai levar a gente a ter uma segurança muito maior nos nossos sistemas de informação, na nossa segurança contra espionagem e contra a robustez desses sistemas"

Nos próximos dias, mais cinco softwares devem ganhar o Certic. Outros cinco também aguardam na fila. Segundo Moreira, do MCTI, desde que o governo abriu o processo para análise prévia dos programas, 60 pedidos foram feitos. O documento é fornecido pelo Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, de Campinas.

Veja como obter um selo 'made in Brazil':

1) A entidade interessada se inscreve na plataforma CERTICSys, que simula a avaliação do software (Veja aqui);

2) Depois do cadastro, a contratação da avaliação deve ser feita para que avaliadores façam uma visita e colham evidências do desenvolvimento do software;

3) São avaliados critérios como investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil, aplicação desses resultados no software e nível de inovação tecnológica;

4) O CTI Renato Archer decida se valida a análise ou não; em caso positivo, o MCTI emite o certificado.


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