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Sexo na terceira idade: Tabú? Parte 2


Desde sempre que o sexo e segredo viajaram de mãos dadas. Preconceitos e tabus abundam quando a sexualidade é tema. Sobretudo quando os seus protagonistas já passaram a barreira dos 60/70 anos.

Dos idosos, pensa-se que são assexuados, que neles já não nasce o desejo sexual. Eles próprios, educados em ambientes repressivos, vivem a sua vida sexual com culpa. Mas afinal o sexo na terceira idade é ou não possível, é ou não gratificante? Podem ou não os idosos ter uma vida sexual activa? A resposta é sim, claro!

Dobrámos há seis meses a fronteira do século, mas em matéria de tabus o tempo passa mais devagar do que no calendário. As sociedades ocidentais modernizam-se, renderam-se à informática e à internet, homens e mulheres adaptam-se aos novos instrumentos de trabalho. Mas as mentalidades continuam a resistir à mudança e a alimentar os velhos mitos.

Como o de que não há sexo na terceira idade. Nada mais errado! Mas é um preconceito generalizado, a tal modo que os próprios protagonistas do envelhecimento vão acreditando nele, pondo de parte desejos e prazeres quando acaba o fito da reprodução. Afinal, muita gente ainda atribui ao sexo a mera função reprodutora.

É preciso desmistificar esta realidade. É certo que com o envelhecimento se produzem transformações fisiológicas no homem e na mulher, mas não são inibidoras da actividade sexual. Com a idade, o sexo, tal como outras actividades, vai-se apenas tornando menos necessário. A sofreguidão dos jovens dá lugar à acalmia da maturidade.

Os idosos não perdem o apetite sexual. Simplesmente, já não têm pressa. Enquanto os mais novos obtêm maior gratificação na quantidade, com os mais velhos reina a qualidade. É claro que a frequência das relações sexuais diminui, mas o grau de satisfação pode ser o mesmo. Afinal, também aqui a experiência conta.

Pode-se até perder alguma da capacidade "técnica", mas não diminui o prazer que o idoso sente quando o seu corpo está em contacto com outro. Até porque - e isto vale para todas as idades - a sexualidade de uma pessoa não se esgota no acto sexual em si.


O peso da educação

A vivência da sexualidade na terceira idade nada mais é do que a continuação de um processo iniciado na infância. São as alegrias, culpas, vergonhas e repressões de cada um, associadas às modificações fisiológicas e anatómicas que a idade impõe, que determinam o comportamento sexual do idoso.

É um facto que a geração actual de idosos é fruto de uma educação ainda muito repressiva. Os pais tinham como orientação sexual conceitos muito repressores, agora considerados retrógrados, segundo os quais o sexo era sujo e pecaminoso, para ser praticado na escuridão com o intuito de dele nascerem filhos.

Mas a educação não é o único fardo que os idosos suportam. Também o ambiente social é, regra geral, repressor. Só o corpo não respeita estas normas, continuando a manifestar-se quando a idade avança. Só que, divididos entre os preconceitos sociais e os impulsos, muitos idosos acabam por viver a sua sexualidade com muita culpa.

Para toda a vida

A função sexual acompanha o homem toda a sua vida. É naturalmente condicionada pela cultura, pelos valores, pelos estereótipos de masculinidade e feminilidade, bem como por aspectos psicológicos e emocionais.

Um adulto jovem utiliza o seu relacionamento sexual como um importante meio de expansão emocional, de acordo com os seus valores culturais. A sexualidade acaba por ser um instrumento de poder, mesmo de afirmação social. Até ao nascer dos filhos, pois aí a sexualidade ganha novos contornos associada ao papel de pai e mãe.

É então que, criados os filhos, surgem os primeiros problemas. Sobretudo para as mulheres, assaltadas por vezes com dúvidas sobre o seu novo papel. Quando termina a idade reprodutora, é fácil multiplicarem-se os sentimentos de desvalorização pessoal, traduzidos em repúdio pelo corpo e repúdio pelo companheiro.

Com as alterações hormonais, a mulher não perde a capacidade de sentir desejo nem a capacidade orgásmica, mas é frequente sentir-se menos atraente, incapaz de despertar desejo no companheiro.

Mas há mulheres para quem a nova etapa da vida é sinónimo de liberdade, de poder assumir a sua sexualidade sem o risco de uma gravidez, sem a pressão do tempo que era exigido pela educação dos filhos, muitas vezes sem a pressão da realização profissional. Mais: depois da menopausa, em geral a mulher liberta-se de inibições que possam ter atrapalhado a sua vida sexual anterior.

Os homens não têm os mesmos problemas. Com a idade não diminui a fertilidade, sendo bem conhecidos casos de homens que foram pais muito tardiamente, depois dos 70 anos. A crise não surge então associada à fertilidade, mas à potência sexual.

O corpo muda, é um facto. O tempo deixa marcas menos visíveis do que as rugas, marcas que se notam apenas na intimidade. O vigor sexual já não é o mesmo, a resistência também não. O homem pode então apresentar sintomas de impotência, que se podem dever a dificuldades circulatórias ou à diminuição da sensibilidade na região do pénis. Mas na maioria das vezes a impotência na terceira idade surge associada a factores emocionais.

Questões orgânicas à parte, o sentir-se velho pode em si ser causa de impotência. Quando o homem parte para uma relação sexual com ansiedade, angústia, está a condená-la ao fracasso, com a consequente infelicidade e baixa de auto-estima.

Uma fogueira sem chamas mas que ainda queima

E muitas vezes os quadros de ansiedade que acompanham a tentativa de desempenho sexual na terceira idade devem-se a preconceitos, a vergonhas que foram incutidas pela educação, à ideia - errada - de que o idoso, seja ele homem ou mulher, é assexuado.

Aos nossos avós não os imaginamos a "fazer amor", mas apenas a trocar carinhos, reconfortados com a simples presença um do outro.

É claro que na terceira idade, muitas vezes depois de uma vida juntos, o que prevalece é o afecto, a sensação de aconchego. E o sexo é a manifestação disso mesmo. Na terceira idade faz-se amor com valores, não apenas com desejo. É claro que a satisfação física se mantém, mas com ela cada parceiro reafirma a sua identidade, mostra ao outro quão valioso é.

E isto vale tanto para o homem como para a mulher.

Com alguns pequenos nadas: nas mulheres, devido à secura da vagina, a penetração é mais difícil; nos homens pode diminuir o tempo de erecção. Depois de uma sexualidade mais activa, a terceira idade é uma fase de adaptação, mas nenhum dos factores é suficiente para alterar o prazer sexual.

Na terceira idade, como em qualquer outra idade, a actividade sexual é uma demonstração de boa saúde, física e mental.

A sexualidade sénior em perguntas e respostas

Os tabús sempre andaram associados à sexualidade. As conversas sobre sexo alimentaram-se sempre de secretismo, terreno fértil para a propagação de conceitos errados. Para um pai ou uma mãe, é um sobressalto quando os filhos pequenos fazem as primeiras perguntas. Faltam sempre as palavras, por mais esclarecidos que sejam.

Em relação à terceira idade assim acontece também. Provavelmente muitos idosos têm dúvidas que, por pudor, vão ficando por esclarecer. Eis algumas perguntas e respostas:

Até que idade um homem é potente sexualmente?

Sempre. Enquanto estiver vivo, enquanto o coração bater, o homem é potente sexualmente. É claro que há doenças e quadros físicos que impedem o exercício, logo recomendam moderação na actividade sexual.

Um idoso é capaz de manter uma erecção?

Claro que sim. O que acontece é que, com a idade, o homem precisa de mais estímulos. Num jovem a erecção é um processo imediato, no idoso é um pouco mais lenta, não devido à falta de prazer mas ao desgaste físico próprio da idade. É como subir uma escadaria: o jovem sobe a correr, o idoso mais devagar, mas ambos chegam ao topo.

Os idosos têm desejo sexual?

O apetite sexual não tem nada a ver com a idade. Manifesta-se em qualquer etapa da vida. Inclusivamente há idosos com uma vida sexual muito activa, um grande interesse por sexo.

Os idosos podem ejacular?

A ejaculação é possível até ao fim da vida. Com o aumento da idade, diminui a quantidade ejaculada, mas a produção de espermatozóides mantém-se. Também as contracções ejaculatórias vão sendo menores, mas isso não significa menos prazer.

As mulheres perdem o interesse por sexo depois da menopausa?

De maneira alguma. Essa ideia deve-se aos estereótipos criados em torno da menstruação. Quando ela cessa de vez, a mulher apenas deixa de ser fértil, não é por não poder ter mais filhos que ela perde o interesse pelo sexo.

Porque é que depois da menopausa a penetração vaginal é mais difícil?

Com a menopausa diminui a mucosa vaginal e reduz-se a lubrificação vaginal, pelo que uma mulher pode sentir desconforto no início da penetração.

As mulheres idosas podem ter orgasmos?

Podem, porque a capacidade orgânica de ter gozo sexual não diminui com a idade. As mulheres respondem orgasticamente não importa em que idade.

A responsabilidade editorial e científica desta informação é da Farmácia Saúde.

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