Os 10 países que tratam as mulheres como lixo
Recentemente li uma matéria sobre a situação das mulheres iraquianas. Após a queda do governo de Sadam Hussein, a situação das mulheres deste país deveria mudar, mas, ainda é inquietante a violência que as mulheres iraquianas continuam vivendo. Elas reivindicam emprego, liberdade de ir e vir, liberdade no casamento, benefícios sociais, na educação e serviços de saúde.
Os protestos que vêm ocorrendo no Iraque desde dezembro de 2012 tiveram como estopim os maus-tratos que as mulheres detidas estão sujeitas pelas forças de segurança, e segundo o ministério público iraquiano, esses casos de humilhação estão ocorrendo desde 2003. Existem cerca de 1053 casos de estupros documentados, que foram causados pelas forças de ocupação britânicas e forças iraquianas, entre 2003 e 2007. O caso se torna ainda pior quando os advogados dizem que além de estupro, ocorrem casos de assassinatos, nudez forçada, humilhação sexual e muitas vezes além de mulheres, envolvendo também crianças. De acordo com o Washington Post:
“De todas as carnificinas no Iraque, nenhuma é mais impressionante do que a campanha de tortura e homicídios executada pelas forças policiais governamentais treinadas pelos EUA.”
Organizações iraquianas de direitos humanos calculam que há 5000 mulheres detidas e as promessas dadas a estas mulheres foram apenas falácias. Foi prometido que haveriam cotas de 25% para mulheres dentro do parlamento iraquiano, porém existe apenas uma ministra nos 44 lugares. A afronta é maior ainda quando o ministro, pasmem, dos Assuntos da Mulher, Ibtihal al Zaid declara:
“Eu estou contra a igualdade entre homens e mulheres. Se as mulheres fossem iguais aos homens iriam perder muito”.
Com essa declaração, as organizações em defesa da mulher, pediram a abolição deste ministério, tendo em vista as declarações contra a mulher do ministro que as representam. Pura incoerência não é?
Iraque é um dos países que tratam a mulher como lixo. Abaixo, teremos uma lista, no mínimo, triste e estarrecedora, dos 10 países que mais maltratam as mulheres. Infelizmente frente a tantos acontecimentos, tais como, guerras, crises políticas, desastres, manifestações, muito se mascara sobre o sofrimento das mulheres mundo afora. Felizmente, com o levante da luta pelos direitos das mulheres que nunca foi tão grande quanto estamos vivenciando hoje, os casos estão vindo à tona e abrindo os olhos para os direitos das mulheres.
1 – Nepal
Este país situado perto do Himalaia e tendo o Tibet e a Índia como fronteiras, é um país pobre cuja agricultura emprega mais de 90% da mão de obra. Composta de 80% de hindus, 10% de budistas e o restante dividindo-se entre cristãos e muçulmanos, 75% da população vivem abaixo da linha da pobreza e 73% das mulheres são vítimas de violência doméstica. O Nepal foi uma monarquia na maior parte da sua história e somente em 2008 tornou-se um governo parlamentarista.
Neste país as mulheres são obrigadas a se casarem com maridos arranjados pelo pai. Elas não têm direito de se apaixonar, e Amor é apenas uma palavra. Todos os anos, cerca de 5000 garotas nepalesas são submetidas à prostituição no país vizinho, sendo que muitas vezes são vendidas pela própria família, e muitas delas são escravizadas. Apesar da lei nepalesa prever até 20 anos de prisão para o crime de tráfico de mulheres, é muito raro ocorrer alguma condenação, pois as vítimas são ameaçadas de tortura e morte, caso revelem sobre as condições que passam. Em um país com uma das maiores densidades demográficas do continente asiático, as mulheres contam apenas com a ONG Maiti Nepal que tenta, a seu modo, dar apoio às vítimas.
O Nepal passou por intensa guerra civil, e as mulheres estão ocupando 33% das cadeiras parlamentares, mas o país ainda é extremamente patriarcal. Os casamentos precoces são realizados com o intuito de conseguir o maior número de crianças do sexo masculino. O que acontece com as crianças do sexo feminino? São vítimas do que chamamos de “discriminação de gênero”. Consideradas como “sexo frágil”, são muitas vezes vítimas do tráfico humano.
Além de tudo isso, o Nepal é um dos países que mais tem taxas de pessoas desaparecidas em decorrência do conflito armado ao qual o país passou ao longo de 10 anos. Em razão disso, muitas mulheres, esposas e mães, assumem o papel de “homem” na família. Elas são estigmatizadas pela sociedade, e tem de se comportarem como viúvas, seja na forma de se vestir ou de agirem. Em razão disso, muitas dessas mulheres se isolam, recusando qualquer forma de apoio e tentando suprir as necessidades básicas da família. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, organização que trabalha no mundo todo para dar assistência às vítimas da violência armada, estão ajudando as mulheres a aliviar o sofrimento e ajudá-las a seguir adiante com suas vidas. A abordagem da CICV envolve todas as questões emocionais, culturais e religiosas e enfatiza o apoio comunitário, de forma com que essas mulheres não se isolem. De acordo com o CICV, após a guerra civil, mais de 60% dos lares são chefiados por mulheres.
A violência contra as mulheres nepalesas são frutos da presença do hinduísmo tradicional e a forte presença do patriarcado, profundamente enraizado. No Nepal, é permitida a bigamia quando a primeira mulher não pode ter filhos e a aceitação social desta prática também é motivo de sofrimento para as mulheres. Apesar da alegação da primeira mulher não poder ter filhos, vê-se claramente que é apenas para a obtenção de sexo. A ativista da Associação dos Defensores dos Direitos Humanos da Mulheres, Nirmala Bagchand, declarou à agência Efe que:
“Os homens não recorrem à bigamia para ter filhos. Voltam a se casar por prazer”
Tidas apenas como objeto, a mulher nepalesa é constantemente abusada, e isso para os homens é um ato natural. Elas evitam levar o caso para a polícia, pois a maior parte dos abusadores faz parte de seu convívio familiar. Em 2010, a polícia registrou 486 estupros, e um estuprador, quando condenado (o que acontece raramente), pega uma pena de seis meses de prisão e um polígamo, três anos de detenção, mas não existe no país uma forma de fiscalizar tal ato, sendo inclusive, normal. As ativistas pelos direitos das mulheres são constantemente ameaçadas de morte.
“A mentalidade patriarcal é a razão principal para que a violência contra a mulher continue. No Nepal há uma cultura de silêncio pela falta de apoio e a dificuldade de recorrer ao sistema legal“, Bindu Gautam, chefe do estudo “Justiça Revelada: falam as sobreviventes de estupros”.
2 – Arábia Saudita
A Arábia Saudita está na 131ª posição, num total de 135 países sobre o informe de 2012 referente ao “Disparidade de Gênero do Foro Econômico Mundial”. O governo do país foi considerado ineficiente diante da garantia dos direitos de 9 milhões de mulheres e crianças no país. As leis são baseadas na Sharia, um código de leis do islamismo, onde não se separa religião e direito.
Governada pelo rei Abdullah, o mesmo afirmou em 2011 que a partir de 2015, as mulheres poderão nominar candidatos para as eleições municipais (metade são escolhidos por eleições, e outra metade, pelo rei) e ocupar cargos no Conselho Shura, uma espécie de parlamento nacional cujos membros são indicados, claro, pelo próprio rei. O detalhe é que elas precisam da autorização do marido/guardião para sair de casa e poder votar, ou seja, tudo não se passa de um “falso” poder, que o rei, tenta criar em si uma esfera de benevolência ao “libertar” estas mulheres que deveriam ter um direito tão simples.
Em 2012, o rei permitiu que as mulheres sauditas andassem de bicicleta, mas com algumas condições, que elas possuam um “guardião”, que geralmente, é o pai, marido ou irmão, e para coisas “teoricamente” simples, tais como, abrir contas em banco, viajar e até mesmo, estudar e receber tratamento médico, elas ainda precisam de autorização. A Arábia Saudita ainda proíbe que as mulheres trabalhem como caixas e garçonetes, mas elas ainda podem trabalhar na cozinha dos restaurantes. Alegam que isso vai contra a Sharia, o código de leis do islamismo, pois, segundo estas leis, mulheres não podem ficar em um mesmo espaço que os homens. A mulher saudita também não tem o direito de dirigir e nadar em praias públicas e elas representam 70% das vagas nas universidades, mas, infelizmente as leis da Sharia impedem que ocupem postos de trabalho. Apenas 5% da força de trabalho são ocupadas por elas.
Em março de 2013, o rei autorizou a prática desportiva e vai criar “clubes desportivos femininos” e tentar avançar com a criação de um ministério. Até então, as mulheres praticavam as atividades escondidas. Uma em cada seis mulheres, sofre diariamente agressões físicas, emocionais ou verbais.
3 – Paquistão
O país das mulheres que sofrem ataques de ácido, vítimas do que chamam de “crimes de honra”. Os assassinos não são punidos, pois alegam que o ataque foi em nome da honra da família. As mulheres são atacadas por não terem aceitado pedidos de casamento, por questionar a autoridade masculina, por negar propostas sexuais. Além do Paquistão, Bangladesh, Afeganistão e Índia, continuam punindo as mulheres, mirando em seus rostos a fim de deixarem-nas cegas e deformadas.
“Quando me encontrei com Naim Azar, uma mulher paquistanesa que foi outrora uma corretora de imóveis, atraente e confiante servindo, estava usando um véu negro, envolvendo sua cabeça e face. Depois de removê-lo, meu corpo estremeceu. Seu rosto todo queimado pelo ácido parecia ter os ossos expostos, mesmo depois de fazer seis enxertos de pele com partes das pernas. Ela não pode fechar os olhos ou permanecer com boca fechada, não pode comer em público, porque a comida cai durante a mastigação.” – Nicholas Kristof, colunista do The New York Times, que fez uma viagem ao Paquistão para cobrir o caso dos ataques contra as mulheres.
O Paquistão é o considerado o pior país no quesito cultural/religioso, que inclui até mesmo casamento forçado com crianças. Mais de mil mulheres e meninas são vítimas dos tais crimes de honra todos os anos, e 90% das mulheres, isso mesmo, 90%, são vítimas de violência doméstica. Ainda ocorrem ataques constantes do Taleban contra as mulheres paquistanesas. Em outubro de 2012, Malala Yousafzai, de 15 anos, voltava da escola e foi atacada por membros do Taleban, quando foi abordada no ônibus, sendo então baleada na cabeça por lutar pela educação feminina no Paquistão. Sobreviveu, mas hoje carrega um trauma que dificilmente vai esquecer. A garota é símbolo de coragem e determinação e dezenas de milhares de pessoas assinaram uma petição para que a garota fosse indicada ao Prêmio Nobel da Paz.
4 – República “Democrática” do Congo
Em julho deste ano a ONU definiu o país como a “capital mundial do estupro”. Os números são estarrecedores: entre abril e junho, nove meninas com idade entre 12 e 18 anos deram entrada em hospital com marcas evidentes de violência e graves ferimentos internos. Destas, duas crianças não aguentaram os ferimentos e morreram. E isso não é lenda, são dados que constam nos relatórios da Missão das Nações Unidas de Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO) e o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Desde 1998, segundo estimativas das agências da ONU, cerca de 200 mil mulheres e crianças foram estupradas no país.
Com o conflito que ocorre na província de Kivu, localizado ao norte da RDC, a ocorrência de estupro cresceu ainda mais. De janeiro a julho, foram 619 casos de estupros (isso aqueles que foram relatados, o número é bem maior se considerarmos as vítimas que sofrem em silêncio). A prova do aumento do número estarrecedor de estupros vem dos índices do ano passado. No mesmo período, em 2012, foram registrados 108 casos e a maioria destes casos de estupro na região são cometidos por homens armados. Em números oficiais da ONU, o número de estupros na região em 2011 foi de 4689. Em 2012, teve-se assustadores 7075 estupros de mulheres e crianças. Estima-se que diariamente, 48 mulheres são estupradas em todo país, e, infelizmente, o número pode ser muito maior, algumas organizações dizem que esse número salta para 1000, considerando os casos não relatados.
Maman Marie Nzoli é ativista da ONG Corpermas, e luta pelas melhores condições das mulheres congolesas e diz que são necessárias muitas mudanças para que isso aconteça, e a guerra impede que muitas delas sejam possíveis.
— As mulheres não são respeitadas no Congo. Até hoje, algumas mulheres têm o clitóris cortado e os mamilos destruídos, – diz a ativista.
Quando uma mulher é violentada, ela deixa de ser mulher, passa a ser discriminada em seu vilarejo. Na RDC existe a mentalidade de que a mulher é a detentora da culpa de ser estuprada. A Copermas tenta dar apoio psicológico e econômico para as mulheres vítimas do estupro. A justiça no Congo também é muito falha, pois mesmo que o estuprador seja denunciado, no dia seguinte ele estará fora da prisão.
5 – Somália
“A coisa mais perigosa que uma mulher pode fazer na Somália é ficar grávida. Quando uma mulher engravida, ela tem 50% de chance de sobreviver porque não há nenhum acompanhamento pré-natal. Não há hospital, cuidados de saúde, nada” – Maryan Qasim, Ministra para o Desenvolvimento das Mulheres na Somália.
Os índices de mortalidade materna e infantil são os maiores do mundo. Além disso, na Somália, é comum o casamento infantil, estupros e mutilação sexual feminina.
A mutilação sexual feminina é realizada em 29 países da África e do Oriente Médio. Nestes países, 36% das meninas entre 15 e 19 anos foram mutiladas. Mulheres com idade entre 45 e 49 anos, esse índice sobre para 53%. Cerca de 120 MILHÕES de meninas e mulheres são mutiladas em todo mundo. A prática é tida como extremamente dolorosa, e em alguns casos, é realizada em meninas recém-nascidas. Consiste na remoção parcial ou total dos dos genitais externos. São quatro tipos:
- Remoção parcial ou total do clitóris;
- Remoção parcial ou total do clitóris e pequenos lábios, com ou sem excisão dos grandes lábios;
- Estreitamento do orifício vaginal por meio de membrana selante;
- Punção, escarificação, perfuração, corte, cauterização.
Apesar da prática ser horrível, nos países onde é realizada, é apoiada tanto por homens quanto mulheres, sendo, inclusive, as mulheres que são responsáveis pela cerimônia de mutilação. As mulheres da Somália, vítimas da mutilação sofrem de dores e hemorragias intensas. Quando realizadas em mulheres grávidas, traz sérias complicações ao parto. Em longo prazo, existem casos de infertilidade, infecção urinária e cistos. Na Somália, 97,9% das mulheres sofreram mutilação genital e a justificativa para a prática, inclui o controle do desejo feminino, a fim de evitar traições, e a “crença” de que o ato preserve a virgindade e a pureza da mulher, além de garantir possibilidade de obter um casamento rentável, pois o pagamento do dote de uma mulher mutilada é muito maior.
Além de ser o país com maior índice de mutilação genital feminina, as áreas controladas por militantes islâmicos tornam o cenário ainda pior. A fome assola a região e as famílias têm migrado para a capital. Outros, acabam vivendo em campos de refugiados regidos por bandidos armados. Nos dois casos, a ocorrência de estupros é muito comum. A ajuda internacional resume-se na entrega de alimentos e na tentativa de cessar fogo.
6 – Índia
Todo mundo aqui deve se lembrar do caso do estupro coletivo que ocorreu dentro de um ônibus em Nova Deli, capital do país. O caso provocou comoção mundial e protestos no mundo todo. Estima-se que na Índia, uma mulher é estuprada a cada vinte minutos, sendo que apenas 1 a cada 50 vítimas tem coragem de denunciar o estupro para a polícia, e muitas vezes, a própria polícia alega que a mulher é a única culpada pelo estupro, e para piorar ainda mais a situação, a mulher estuprada é estigmatizada pela sociedade indiana e não consegue se casar. Na Índia, uma mulher que não se casa é praticamente nada. Cruel? Cruel é pouco… Apenas 26% dos casos de estupros no país resultam em condenações e em muitos casos, o juiz afirma que se a vagina da vítima não está tão ferida, é porque a vítima era habituada a praticar sexo e o caso não se caracteriza como estupro.
Em 2012, em Guwahati, uma jovem de apenas 16 anos foi despida por dez homens. Fizeram-na caminhar nua durante 45 minutos pelas ruas da cidade, e tocavam nela constantemente. A agressão foi filmada por um repórter. Os dez homens foram condenados a apenas dois anos de prisão e recorrem para se livrarem dela.
Na Índia, principalmente nas zonas rurais ao norte do país, a mulher ainda é vista como um ser inferior. 44,5% das meninas são obrigadas a se casarem antes dos 18 anos e não existe opção, elas têm de cumprir o que é estabelecido para elas. Um dos casos estarrecedores envolvendo mulheres indianas é o de Sita Chauhan, que teve a vagina perfurada pelo esposo. Antes de sair para trabalhar, utilizava um método inimaginável para evitar que a mulher cometesse infidelidade: colocava um cadeado na vagina de Sita. Outros fatos perturbadores diante da situação da mulher indiana, são os constantes desaparecimentos sem respostas, o aborto de crianças do sexo feminino, casamento infantil e tráfico de mulheres. De acordo com o Inquérito Nacional de Saúde da Família, 51% dos homens e 54% das mulheres acham normal o marido bater na mulher.
O índice de AIDS entre as mulheres indianas também é fator de preocupação, atingindo cerca de 400 mil crianças. O preconceito contra a criança fez com que o número de aborto por gênero aumentasse e o número de mulheres no país diminuísse drasticamente. Em 2011, o Censo indiano estimou que existem 37 milhões de homens a mais que mulheres. Com o costume das castas, o problema se agrava ainda mais. Nas castas mais baixas, meninas de 12 a 15 anos mal se casam e já foram contaminadas pelos maridos. Um detalhe importante é que os “esposos” são aqueles que elas não tiveram opção nenhuma de escolher. Muitas, após contrair a doença, são expulsas das famílias, pois são vistas como desonradas, e muitas vezes acusadas de terem sido infiéis, afinal, a AIDS ainda é vista, em muitos países, como uma doença da infidelidade.
Por conta do “aborto seletivo” e consequente diminuição de mulheres na população indiana, o tráfico de mulheres também se tornou uma prática comum, sendo elas, transformadas em escravas sexuais.
“Garotas. Elas são uma dependência econômica para os pais indianos. A criação delas é cara. Elas podem arruinar a reputação da família com o poder da indiscrição. Elas precisam de um dote quando você as casa, e o que você recebe de volta? Nada além de preocupação e miséria.” – trecho do livro de memórias “Casamento Arranjado”, da jornalista indiana radicada na Austrália, Sushi Das. O livro retrata a vida de jovens mulheres nascidas na Índia.
“A vítima é tão culpada quanto os estupradores. Ela deveria ter chamado os agressores de irmãos e implorado para eles pararem” – Asaram Bapu, guru religioso indiano, sobre o caso do estupro coletivo sofrido pela jovem estudante Nirbhaya, de 23 anos. Ela foi estuprada por 6 homens.
7 – Iraque
19% das mulheres iraquianas passam por transtornos mentais em decorrência dos conflitos no país. As instalações médicas são escassas e muitas delas se isolam em casa para não serem estigmatizadas na sociedade. O normal seria pensar que com a queda do ditador Saddam Hussein, a situação melhorasse para as mulheres, mas apenas deteriorou-se ainda mais, principalmente no quesito liberdade. O novo governo implantou a lei Sharia, em 2004. A Organização da Liberdade das Mulheres no Iraque tem tentando proteger e promover a liberdade das mulheres iraquianas. Após a queda de Saddam, o número de estupros, sequestros e ataques aumentaram muito.
“As mulheres costumavam se comportar de uma maneira mais liberal sob o regime de Saddam. E eu odeio dizer isso, porque eu odeio Saddam, mas as mulheres eram mais livres sob o governo de Saddam.” – Lubna Naji, médica, em entrevista a rede BBC.
8 – Mali
No Mali o índice de mutilação genital feminina também é alarmante, além da discriminação e violência. Estima-se que 95% das mulheres do país foram mutiladas e há uma onda de medo por conta das ocorrências de apedrejamentos e amputações. Extremistas islâmicos começaram a fazer listas de mães solteiras e como em todo país extremista, ser mãe solteira é considerado um crime contra a honra da família.
As mulheres vítimas de estupro no Mali também são excluídas na sociedade, totalmente privada do pouco de direitos humanos que existem no país. Não podem estudar e nem trabalhar. De acordo com as Nações Unidas, os direitos políticos e civis são limitados pela interpretação severa das leis da Sharia. No norte do país, as crianças estão impedidas de estudar porque muitos de seus professores fugiram, em decorrência da guerrilha entre o governo maliano e os rebeldes da força Tuareg. No Mali, as mulheres são compradas por menos de mil dólares.
9 – China
A China é conhecida por seu controle de natalidade, com a política do “filho único”.
Com o alto índice de abortos de crianças do sexo feminino, estima-se que 40 milhões de homens não têm parceiras, e isso afeta também os países vizinhos. As mulheres norte-coreanas tentam ultrapassar a fronteira e tentar uma vida melhor na China, através do tráfico de noivas, sendo que muitas delas são vendidas a múltiplos maridos. As norte-coreanas afirmam que são tratadas como gado, uma simples mercadoria.
Recentemente houve um caso estarrecedor de “punição” por uma mulher chinesa ter tido um segundo filho. Após o aborto do feto de apenas 7 meses, a mulher foi forçada a dormir ao lado do bebê morto. O governo chinês pediu desculpas após a mãe publicar as fotos na internet. O número de abortos feitos por ano chega a 13 milhões, cerca de 1458 abortos por hora.
No link abaixo, pode-se ver um vídeo realizado pela organização “Women’s Rights Without Frontiers”, sobre a política do filho único:
A falta de mulheres, motivo que trouxe aumento da escravidão sexual e a política do filho único, também pode ser a causa da maior parte de suicídio de mulheres no país. De acordo com a OMS, Organização Mundial da Saúde, a China é o país que tem o maior índice de suicídio do mundo, contabilizando cerco de 500 suicídios por dia.
10 – Afeganistão
O Taleban continua atacando as escolas para disseminar sua campanha contra a educação feminina. Os casamentos forçados são bem comuns e a sociedade permite que o homem afegão se divorcie da mulher e a deixe na miséria. Apesar dos ataques do Taleban terem diminuído, ainda verifica-se a face do medo nas mulheres afegãs.
Em dezembro de 2011 o caso de uma jovem afegã chocou o mundo. Sahar Gul, de 15 anos na época, casou-se em janeiro daquele ano com um homem de 30 anos. Ela foi torturada, sendo queimada e tido as unhas arrancadas pelo marido, sogros e cunhados, que segundo a polícia, o fizeram por tê-la se recusado a prostituir-se. Foi encontrada pela polícia, trancada em um porão sem janelas. Os agressores foram condenados a 10 anos de prisão.
Diante de tais fatos, é impossível não nos sentirmos impotentes perante a desumanidade às quais as mulheres estão sendo tratadas mundo afora. Mais triste ainda é saber que 75% das mulheres sofrerão algum tipo de violência no decorrer da vida, e este índice se refere em escala mundial, ou seja, eu e você que me lê, estamos sujeitas a passar por humilhação, estupro e discriminação por gênero. E muitas de nós sofremos em silêncio, sem ter nenhuma voz que nos liberte desse estigma tão aterrorizante. Nos dizem para darmos graças a Deus por termos nascido no Brasil, como se no nosso país não acontecesse casos como ocorrem nestes países. Sim, estamos longe de ter casos como estes relatados e se vocês se sentiram mal ao ler o que está aqui, informo que esses 10 países descritos ainda são poucos retratos do que se vê por aí, é apenas uma pequena parte da crueldade praticada contra as mulheres mundo afora.Podemos citar os constantes apedrejamentos que ocorrem no Irã, situações das mulheres no Quênia, o tráfico de mulheres na Rússia, mutilações genitais no Egito e suas políticas religiosas contra a mulher, enfim, este assunto pode render páginas e mais páginas de discussão, e como redatora, afirmo que é um assunto doloroso demais para escrever. A dor pode ser ainda pior e sem fim. “Dê graças a Deus por morar no Brasil”… Se Deus existe, ele se esqueceu de milhões de mulheres mundo afora, inclusive das brasileiras.
Fonte: Revisado por Maiara Marafon

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