quinta-feira, 21 de julho de 2016

Fábricas fogem da recessão na China



 21-07-2016
 
 

 

 
 


Fábricas fogem da recessão na China 
Luis Dufaur (*)
 
 

Mercado de sapatos fechado em Houjie, China

Pequim assiste na corda bamba à migração das fábricas manufatureiras de baixou custo para outros países, registrou o jornal econômico americano “The Wall Street Journal”.
Pequim não publica números sobre os fechamentos ou mudanças de fábricas. A investigadora Justina Yung, da Universidade Politécnica de Hong Kong, a pedido da Federação das Indústrias de Hong Kong, calculou que as empresas da cidade que operam no vizinho Delta do Rio das Pérolas diminuíram de um terço no período 2006-2013.
Os custos do trabalho na China superam há anos a inflação, segundo a consultora BMI Research, e quase quadriplicam os de Bangladesh, Camboja, Myanmar e Laos.
A tendência é mudar para o Vietnã, diz Wang Wei, gerente-geral de Guangzhou Weihong Footwear Industrial Co., fabricante de sapatos esportivos para Nike, Adidas e Puma.
Para conter a fuga, o governo oferece subsídios e incentivos em regiões mais centrais, onde os salários podem ser até 30% inferiores.
Pequim também exorta as empresas a se automatizarem, investir em tecnologia e produzir objetos de maior valor agregado.

Mapa das greves na China nos últimos seis meses segundo o China Labour Bulletin

Porém, a China não consegue sair da fabricação de produtos básicos e seus custos continuam subindo.
O processo pode gerar tensões sociais. A migração das fábricas para o exterior trouxe demissões em massa e fechamento de unidades. O índice de desemprego oficial é de 4% há duas décadas, número hoje manifestamente falso.
O descontentamento vem sendo abafado pelo controle estatal da mídia. Mas os protestos operários aumentaram 35%, segundo o China Labour Bulletin.
A frustração é patente nas redes sociais, menos controláveis pelo governo. “As fábricas chinesas e estrangeiras estão saindo do país. Nós vamos morrer de fome”, lê-se nos foros de discussão.
 “As manufaturas baratas vão para o Sudeste asiático e as mais sofisticadas voltam para os EUA e a Europa”, escreveu um usuário na Weibo. “Está vindo a grande recessão”, comentou um outro. 
          ( * ) Luis Dufaur é escritor, jornalista, conferencista de política internacional e colaborador da ABIM
 
 

 
 
 
Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)
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