sexta-feira, 17 de março de 2017

Santa Casa investe em pesquisa e em tecnologia de ponta


Instituição assinará termo de parceria em pesquisas com a Fapespa e apresentará a autoridades aparelho adquirido que ajuda a salvar vidas de pacientes com problemas pulmonares. Santa Casa foi o primeiro hospital público do Norte e Nordeste a adquirir o equipamento

Uma cerimônia na Santa Casa de Misericórdia do Pará reunirá, nesta sexta-feira (17), várias autoridades, entre elas o governador do Estado, Simão Jatene. Na ocasião, será assinado um termo de cooperação entre a instituição e a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), por meio do qual a Santa Casa recebe ajuda financeira para investir em pesquisas de promoção da saúde. Na ocasião, as autoridades irão conhecer uma tecnologia recentemente adquirida pelo hospital que ajuda a salvar vidas de pacientes internados com problemas pulmonares.

A Santa Casa foi o primeiro hospital público fora do triângulo Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais a adquirir o aparelho Enlight 1800®, fabricado pela Timpel, conhecido como Tomógrafo por Impedância Elétrica. A tecnologia antecipa em horas informações precisas antes adquiridas em dias e de forma empírica pelos médicos sobre o estado do pulmão dos pacientes. A inovação brasileira é sinônimo de mais vidas salvas e foi desenvolvida pelo médico pneumologista Dr. Marcelo B. P. Amato, coordenador do Laboratório de Pneumologia Experimental da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Giuliana Pancani, por exemplo, caiu da escada e o acidente desencadeou uma super reação dos pulmões. Ela foi salva pelo tomógrafo, que ofereceu um diagnóstico precoce. “Eu tive uma segunda chance e estou aqui pra contar a história”, avalia.

O aparelho não radioativo, que fica à beira do leito, capta as informações do pulmão por meio da tecnologia da impedância. Basta pôr uma espécie de cinta na região do toráx do paciente. O aparelho emite correntes elétricas imperceptíveis e inofensivas  que passam pelo tecido torácico permitindo a geração de informações da ventilação do paciente. O fisioterapeuta Rodrigo Sena, único especialista em Tomografia por Impedância Elétrica Pulmonar do Norte, explica que o tomógrafo possibilita identificar em tempo real a eficiência da conduta realizada com o paciente durante o processo de ventilação mecânica (indução da respiração por aparelho).

Antes da Santa Casa, apenas a Macedo Hospitalar possuía no Norte do país o Tomógrafo. Segundo Rodrigo, países como Alemanha (nação mãe da ventilação mecânica), Chile, EUA, França, Noruega, Espanha e México já importam a tecnologia cem por cento brasileira. Entretanto, muitos procedimentos ainda continuam sendo feitos de forma empírica, o que significa mais riscos ao paciente. “Quando ventilamos o pulmão com pressões/parâmetros inadequados, corremos o risco de provocar lesões, as chamadas VILI (Ventilator Induced Lung Injury). Ou seja, uma abordagem inadequada pode levar o paciente a graves complicações pulmonares e consequente morte”, explica. 

Indispensável

Rodrigo explica que o equipamento pode ser utilizado nas UTIs, nos blocos cirúrgicos ou nas enfermarias e projeta que, daqui a alguns anos, vai haver um aparelho desse em cada leito de UTI. Ou seja, o Tomógrafo por Impedância será tão indispensável quanto o Oximetro (dispositivo médico que mede indiretamente a quantidade de oxigênio no sangue do paciente).

Há um consenso na Associação Brasileira de Pneumologia e Tisiologia de que esta é uma tecnologia aconselhável.  Considerando que 10% das admissões em UTI evoluem com o diagnóstico de Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), uma lesão pulmonar aguda, e que 20-40% das cirurgias de alto risco evoluem com complicações pulmonares, foi estimada uma incidência de SDRA no Brasil ao redor de 120.000 casos/ano, e de cirurgias de alto risco ao redor de 250 mil casos. Ou seja, foram estimadas 18.000 mortes evitáveis no Brasil (com internações médias de 10 dias) e de 125.000 complicações pulmonares evitáveis, cada uma destas aumentando em 2 dias (média) a internação hospitalar.

Fonte: Luiz Cláudio Fernandes (Comunicação)
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