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Diretor de hospital diz que médica presa foi afastada em 2011 por 30 dias



Afastamento ocorreu por desentendimentos com funcionários, diz diretor. Médica foi presa suspeita de provocar a morte de pacientes em Curitiba.
O diretor-geral do Hospital Evangélico, em Curitiba, Odair Braun, disse em entrevista ao G1, na manhã desta quinta-feira (21), que a médica Virgínia Soares de Souza, presa na terça-feira (19), teve um afastamento em 2011.
"Neste ano o diretor geral antecessor de fato fez uma suspensão dela [da médica] por trinta dias. Mas se tratava de uma situação envolvendo relacionamento entre profissionais da equipe", declarou. Questionado sobre qual seria o problema, ele disse que neste momento é melhor aguardar as investigações e a sindicância interna.
Embora o relato de Braun, o diretor clínico do hospital, Gilberto Pascolat, afirmou em entrevista à RPC TV, também na manhã desta quarta, que não possui queixas oficiais contra a médica Virgínia. De acordo com o Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), ela é suspeita da prática de eutanásia, que é a indução à morte com consentimento do paciente, além de maus-tratos aos internados. O caso corre em segredo de justiça. A médica está detida no Complexo Médico-Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e foi indiciada por homicídio qualificado.
Trechos de gravações do depoimento prestado pela médica Virgínia foram obtidos com exclusividade pela RPC TV, na quarta-feira (20). Nas transcrições, ela afirma que foi mal interpretada por falas como “Quero desentulhar a UTI que está me dando coceira”. A frase teria sido dita pela médica, mas a origem da gravação não foi informada pela polícia.
"Oficialmente, nós não temos nenhuma queixa contra a doutora Virgínia nem contra a sua equipe da UTI. Todas as queixas que vem da equipe médica ou da equipe de enfermagem tem que chegar a mim e não tem nada contra ela. Nesses vinte anos que ela trabalha na UTI eu que estou no hospital não me lembro de nada que desabonasse a conduta dela nem na parte técnica nem na parte ética", explica Pascolat.
O diretor Braun disse ainda que quando o caso se tornou público muitos dos pacientes que estavam internados na UTI se sentiram inseguros. "Em uma ação imediata por parte da Secretaria Municipal de Saúde se estabeleceu um grupo de apoio, ou seja, profissionais médicos intensivistas da rede municipal que acompanham os pacientes diariamente e fazem visitas visando dar mais segurança de tudo o que é feito e o que acontece", ressalta.
Ele destacou ainda que o caso é pontual e ocorreu em uma das quatro UTIs do hospital, na qual toda a equipe foi substituída. "São aproximadamente 50 leitos e esses leitos têm uma estrutura independente. Compete a nós esperar as investigações".
Virgínia trabalha no hospital desde 1988 e dirigia o setor de UTI do Evangélico desde 2006. A prisão ocorreu em uma operação do Nucrisa após investigações que duraram um ano e partiram de denúncias de funcionários. O conteúdo completo foi mantido em sigilo “por questão de ordem”, segundo a delegada Paula Brisola, do Núcleo de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (Nucrisa) de Curitiba.
A polícia apreendeu prontuários de pacientes que ficaram internados e morreram na UTI do hospital e informou que todos os casos de morte ocorridos desde 2006 serão investigados. O Conselho Regional de Medicina (CRM) também está investigando a conduta da médica. Já o Hospital Evangélico abriu uma sindicância para apurar o caso. Sete prontuários foram apreendidos, segundo o diretor Pascolat.
Gravações do depoimento
Sobre os trechos de gravações do depoimento prestado por  Virgínia, o advogado de defesa, Elias Mattar Assad, disse que a cliente foi vítima de má-interpretação dos colegas de trabalho, que não entendem o jargão da medicina intensiva.
“Foram interpretações equivocadas que deram. Por exemplo, quando o médico fala em reduzir os parâmetros do respirador, não quer dizer que vai matar o paciente. Significa que para cada paciente tem um nível que precisa ser modulado. Há uma série de equívocos”, apontou o advogado.
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