quarta-feira, 24 de maio de 2017

[18+] Um conto nadegueiro


Já li histórias de mouros que mataram por ciúmes, de princesas presas em castelos e até mesmo de complexas aventuras amorosas em Praga. Mas nunca havia ouvido uma narrativa sobre uma bunda que ganhou vida e, principalmente, jamais imaginei que eu a protagonizaria. É por isso que compartilho com vocês a história de como me tornei uma personagem chamada Charlote Braden.

Depois de muitos anos de relacionamento, é aconselhável buscar sempre maneiras de manter o entusiasmo sexual do casal. E foi em um desses momentos que meu namorado sugeriu que eu participasse do primeiro concurso de bundas do blog LolHehehe.

As primeiras fotos
A princípio, quase me senti incomodada ao considerar me expor para punheteiros e pessoas com quem eu não tinha uma relação de intimidade. Estranhei que isso não causava nenhum desconforto em meu namorado. Porém, estando esclarecido que o excitaria exibir o que só ele pode tocar, comecei a me divertir com a ideia e topei. Mal sabia eu que iria conhecer um lado da minha personalidade que se conservava até então tímido e inibido.

Transformei-me em um monstro competitivo obcecado por vitória. Desejava avidamente que aquele troféu inexistente fosse meu e, então, me envolvi. Tornei constante minha presença no blog respondendo aos elogios e retrucando às provocações, até que, enfim, ganhei o concurso e me tornei uma figurinha conhecida entre a comunidade lolense.

Era uma sensação gostosa experimentar aquele reinado. Eu adorava (e ainda adoro) mandar as fotos. Não só pelo motivo óbvio, a massagem ao ego, porque eu compreendia que qualquer menina nua que aparecesse por lá seria ovacionada, mas pelo desejo de ser essa outra pessoa, de brincar de degustar essa outra identidade. Muitas belezas desnudas surgiam parecendo querer traçar o mesmo caminho, mas logo sumiam, enquanto eu lá permanecia.

A Charlote começou assim, como brincadeira, como uma extensão das minhas quatro paredes e da minha intimidade, mas me deixei ser conquistada por ela e por aquela liberdade de poder ser o que eu quisesse sem me importar com qualquer julgamento. É mesmerizante a possibilidade de se recriar, de dar vida a uma personagem que pode fazer o que eu jamais poderia no meu cotidiano. Tomei gosto pelo sentimento e, consequentemente, por me exibir e manifestar mais aquela figura.

Permiti que ela tomasse cada vez mais espaço na minha vida. Passei a participar do fórum do site, evolui de fotos com a webcam para fotos caprichadas, ganhei o concurso mais uma vez e, por fim, criei uma conta no Twitter. Eis que o Sicko, proprietário do blog, após esse tempo de convívio virtual, me convidou para escrever uma coluna. Nasceu o "Sexo com Charlote", acontecimento esse que oficializou a presença dela nos meus dias.

Antes, eu me ocupava esporadicamente tirando fotos, comentando ou twittando; agora era um compromisso semanal que encarei com seriedade. Com as fotos, surgiram pessoas se dizendo fãs e admiradores. Com os textos da coluna, em que eu respondia a dúvidas sexuais, passei a lidar com uma espécie de credibilidade, com a confiança das pessoas de que eu resolveria seus problemas. Obviamente, junto a uma profusão de emails amáveis, nos quais as pessoas confiam a mim sua intimidade, e uma aceitação bastante satisfatória de minha escrita por parte dos leitores, surgiram os antipatizantes. "Haters gonna hate"... Se nem os Beatles agradaram a todos quem dirá eu, uma leiga escrevendo sobre sexo contando apenas com conhecimento de causa.

Passaram a me escrever cobrando atenção, reclamando sobre a falta de resposta a seus emails, exigindo mais ensaios e vídeos e muitos outros pedidos em tom de ordem. Se eu me comovesse, a Charlote se tornaria um emprego de tempo integral.

O que parece escapar à percepção das pessoas é que sou uma menina comum, com uma formação acadêmica, uma carreira nada relacionada a sexo, muitos amigos, uma família amorosa, um cãozinho no quintal, uma unha quebrada e um amor de muitos anos.

Esse comportamento dos leitores e autodenominados admiradores é evidente e muito natural. Eles criaram um relacionamento com aquela bunda naquele avatar, aquele ente surgido de fotos de nudez e de textos quase eróticos. De que outra maneira haveriam de agir, não é mesmo? É uma consequência natural do anonimato que a realidade acabe ficando em último plano.

Muitas vezes me perguntaram se isso tudo havia afetado meu relacionamento. Não tenho como dizer que não. No início, o Sr. Charlote não gostou muito do meu lado fissurado por vitória e não aprovou minha vontade de continuar representando esse papel – é compreensível que tenha se sentido enciumado por ter que dividir o tempo que temos juntos com essa novidade. No entanto, viver aquilo me interessava, me divertia e, de certa maneira, me satisfazia.

Ele percebeu e, ao invés de lutar contra algo que me contentava, se juntou a mim, mesmo que a intenção principal não fosse mais a realização da nossa fantasia sexual.

Inteligente que é, ele também notou que estar na pele da Charlote me atribuía uma certa dose extra de confiança e sensualidade. É isso que faz a situação ser proveitosa pra ele e que torna vantajosas as horas que ele passa me fotografando. Sempre fiz e decidi tudo junto a ele, com o consentimento dele. Nada a ver com submissão: é uma questão de respeito mesmo, tanto ao meu relacionamento quanto à boa vontade dele em aceitar a Charlote. Afinal, não é todo homem que encara numa boa partilhar imagens de sua mulher nua para deleite de outrem.

A personagem se firmou com ainda mais força quando comecei a fazer ensaios para outros blogs, em parceria com o Lol, lógico, a eterna casa da Charlote. Resignada, incorporei ela de vez e por inteiro no meu dia-a-dia. Hoje escrevo textos com o pseudônimo, faço planos, compro lingeries e busco poses inspiradoras para os ensaios e converso sempre sobre ela com as três únicas pessoas do meu convívio que sabem de sua existência.

Por vezes sou ela, por outras sou eu e, na maior parte do tempo, sou uma mistura das duas. Uma relação confusa entre dois lados que são meus e a qual saboreio com prazer. E, nessa condição, meu maior medo não é mais aquele de altura que me acompanhava desde a infância e, sim, o de responder se alguém chamar... “Charlote!”.

Fonte: Charlote Braden, "Intellectual my ass!"
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