terça-feira, 20 de setembro de 2016

Tartarugas da Amazônia são monitoradas no Tabuleiro do Embaubal e Vitória de Souzel


No mês de setembro, a Gerência da Região Administrativa do Xingu (GRX), do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), está em expedição no Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Tabuleiro do Embaubal e na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Vitória de Souzel, duas novas Unidades de Conservação (UC) da Região, criadas através do Decreto Estadual nº 1566/2016, no dia 20 de junho de 2016. O objetivo é o monitoramento de Tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa) que vivem nas UCs, além da aproximação com os moradores da região.

A equipe já percorreu toda a área das UCs, perfazendo um total de 26.991 hectares, com o apoio do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo (Semat), do município de Senador José Porfírio. Na ocasião foram visitadas as Ilhas Juncal, Peteruçu, Peteruçuí e Embaubal, locais onde mais ocorre a desova da Tartaruga da Amazônia.

Também foram identificadas áreas de desova nas Ilhas do Jenipaí, Carão e Ponta do Miricituba. Na área foram avistadas algumas tartarugas em migração reprodutiva chegando ao Tabuleiro, mas poucas já desovaram. O processo se intensificará a partir de outubro, sendo a eclosão dos ovos esperada para início do mês de dezembro.

A gerente da GRX explicou que o Revis é uma categoria de proteção integral, onde não são permitidos os usos diretos dos recursos naturais e que tem como objetivo central a proteção das áreas de desova da tartaruga da Amazônia. “Isso garante a manutenção das espécies nos ecossistemas amazônicos, já que são animais migradores que partem de vários locais para desovar no Tabuleiro do Embaubal”, explicou Maria Bentes.

Além das tartarugas, desovam na área Pitiús e Tracajás. Outras espécies aquáticas de importância para a conservação que ocorrem na área são o boto-vermelho, o peixe-boi amazônico e jacarés. As aves migratórias também são abundantes, como a águia pescadora, o biguá e o maçarico.

Sensibilização

A equipe do Instituto percorreu o Rio Xingu e os Igarapés Pirarucuquara, Tamanduá e Croari, para reconhecimento de área e visitas aos moradores, que foram convidados para reuniões de apresentação do órgão gestor das Unidades de Conservação e esclarecimentos sobre os objetivos da criação do Revis e da RDS.

Membros do Ideflor-Bio (Escritório Regional Altamira), Ibama e Semat realizaram reuniões na cidade de Altamira e nas comunidades de Vila Nova e Itapeua, no entorno da Ilha de Embaubal, onde está sediada a Base Administrativa, entregue pela Norte Energia, para apoio das atividades de monitoramento e fiscalização e que, a partir da criação das UCs, servirá também de base para a gestão ambiental das áreas.

Na reunião com as comunidades foi possível identificar que os ribeirinhos estão ávidos por projetos que visem o desenvolvimento sustentável e proponham alternativas de renda, uma vez que os recursos pesqueiros encontram-se escassos em alguns trechos de rios e em épocas mais secas.

A pesca na área é realizada por moradores da RDS e também por pescadores sediados nos municípios do entorno. Por conta disso, foram realizadas reuniões com a Colônia Z-70 de Senador José Porfírio e na Colônia Z-12, de Vitória do Xingu, onde os pescadores puderam esclarecer suas dúvidas sobre locais de pesca, apetrechos permitidos e possibilidades de projetos.

Uso Sustentável

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é uma unidade de conservação de uso sustentável que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais. Nessa categoria é permitida e incentivada a pesquisa científica voltada à conservação da natureza, à melhor relação das populações residentes com seu meio e à educação ambiental, sujeitando-se à prévia autorização do órgão responsável pela administração da unidade, às condições e restrições por este estabelecidas e às normas previstas em regulamento.

O objetivo básico da Reserva é preservar a natureza e, ao mesmo tempo, assegurar as condições e os meios necessários para a reprodução e a melhoria dos modos e da qualidade de vida e exploração dos recursos naturais das populações tradicionais, bem como valorizar, conservar e aperfeiçoar o conhecimento e as técnicas de manejo do ambiente, desenvolvido por estas populações

Proteção Integral

O Refúgio de Vida Silvestre (Revis) tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou migratória. A visitação pública está sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo da unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável por sua administração, e àquelas previstas em regulamento.

A pesquisa científica depende de autorização prévia do órgão responsável pela administração da unidade e está sujeita às condições e restrições por este estabelecidas, bem como àquelas previstas em regulamento.

Texto: Denise Silva

Fonte: IDEFLOR-BIO
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