terça-feira, 6 de setembro de 2016

DIA NACIONAL E LATINO AMERICANO DA EPILEPSIA



DIA NACIONAL E LATINO AMERICANO DA EPILEPSIA:
SABER RECONHECER OS TIPOS DE CRISES EPILÉPTICAS É FUNDAMENTAL PARA PACIENTES E FAMILIARES.

Neurocirurgião especialista em epilepsia explica os tipos de crise epiléptica que podem passar despercebidos e dá orientações.

No próximo 09 de setembro será comemorado o Dia Nacional e Latino Americano da Epilepsia (Dia do Roxo), data que pontua a importância da conscientização para a população leiga sobre causas, sintomas e tratamentos deste distúrbio neurológico. Para o neurocirurgião Luiz Daniel Cetl, portadores e familiares devem entender quais os tipos e como a epilepsia se manifesta. “Exitem crises diferentes e todas elas merecem atenção do paciente para melhor compreensão e até mesmo evolução de seu tratamento. Para os familiares, entender e saber identificar são formas de conduzir e ajudar da forma mais adequada possível”, explica o neurocirurgião, especialista em epilepsias e membro do departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Entre os tipos de crises, temos também a crise de ausência, a parada comportamental e, mais raro, o estado de mal epiléptico, que tem, cada uma delas, suas características específicas. A crise de ausência é caracterizada pela curta duração que pode ser de décimos de segundo e pode se repetir mais de uma vez ao dia e mesmo pessoas próximas não conseguem identificá-la. A parada comportamental é caracterizada como uma crise parcial complexa e muito mais frequente, em que o paciente fica parado, com o olho arregalado, como se estivesse fora de si e, o terceiro tipo é o estado de mal epiléptico, o mais grave de todos pois há uma ativação contínua dos neurônios desfuncionantes, que emitem sinais atípicos ou irregulares, de maneira interrupta, podendo causar lesões cerebrais.

Segundo o neurocirurgião Luiz Daniel Cetl, nas crises generalizadas, as descargas elétricas acometem em todo o cérebro e provoca a perda de consciência do paciente, sendo que os sintomas variam de abalos por todo o corpo e postura tônica, e até atonia, onde há um relaxamento global de todos os músculos. No outro grupo estão as crises parciais, quando apenas uma porção do cérebro é afetada. Elas podem ser parciais simples e crises parciais complexas, sendo estas últimas caracterizadas pelo comprometimento do nível de consciência do paciente.

A manifestação da epilepsia mais conhecida é quando o indivíduo cai no chão, se debate por alguns segundos ou minutos, perde a consiêcia e ocorre a salivação intensa. Quem já visualizou a cena muito provavelmente pode ter identificado como uma crise epiléptica. O que fazer nestes casos?

A recomendação do especialista é que nos casos mais graves, quando o paciente tem contrações musculares e cai no chão, o ideal é afastá-lo de objetos e móveis que possam machucá-lo, deixá-lo se debater livremente até que a crise passe. Tambem adverte que não se deve colocar a mão ou o dedo na boca do paciente e, como há salivação intensa, manter o corpo de lado para evitar que o paciente se sufoque com a própria saliva.

Epilepsia no dia a dia
A mensagem principal do Dia do Roxo é a conscientização de que o paciente com epilepsia deve seguir com suas atividades normalmente. À exemplo de grande ícones e personalidades mundialmente conhecidas, como Vincent van Gogh, Fiódor Dostoiévski e Machado de Assis, o portador da síndrome pode e deve trabalhar, se divertir, integrar-se socialmente e, sem preconceitos, medos ou estigmas, casar e ter filhos.

Calcula-se que, aproximadamente, de 0,5 a 0,7% da população mundial tenha epilepsia, sendo que 75% dos casos têm início ainda na infância. Do total, estima-se que em 50% dos casos as causas são desconhecidas.

Tratamento:
O tratamento convencional para a epilepsia é por via medicamentosa, com uso das chamadas drogas antiepilépticas (DAE), eficazes em cerca de 70% dos casos (há controle das crises) e com efeitos colaterais diminutos. Quando não há controle destes sintomas, outros tratamentos possíveis são a cirurgia e a estimulação do nervo vago. No entanto, apenas um profissional, analisando o caso, poderá indicar o tratamento apropriado para o paciente.

As cirurgias são divididas em ressectivas, ou seja, sabe-se o foco cerebral das descargas que ocasionam uma crise da epilepsia e o retira. E cirurgias desconectivas, em que o foco não é localizado, mas sabe-se que é oriundo em apenas um lado do cérebro, sendo realizada a separação dos hemisférios para que essas descargas não passem de um lado para o outro do hemisfério cerebral. Há também o tratamento da implantação de eletrodo no nervo vago, em que a emissão de estímulos ao cérebro permite o controle das crises, em definitivo ou para a sua diminuição.

O neurocirurgião ressalta também que o objetivo do tratamento é garantir uma melhor qualidade de vida ao paciente. A epilpsia não é transmitida pelo ar ou contato físico. Seu tratamento é imprescindível e deve ser feito adequadamente, para evitar que o paciente tenha sua vida fortemente afetada, por não ter controle das crises e, consequentemente, afastar-se socialmente.

Videorreportagem - ‘Epilepsia de A a Z’, um panorama sobre a doença que traz respostas, visando conscientizar e contribuir para a informação correta sobre epilepsia: https://www.youtube.com/watch?v=khfw3tCjwfA

Fonte para entrevista:

Dr. Luiz Daniel Cetl é referência no tratamento das epilepsias e tumores cerebrais. Especialista pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), membro do grupo de tumores do Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e integrante da Associação dos Neurocirurgiões do Estado de São Paulo (SONESP). Atua ainda como preceptor de cirurgia de tumores cerebrais no Departamento de Neurocirurgia da Unifesp.

Dr. Luiz Cetl na Web:
Site: http://www.drluizcetl.com.br
Facebook: https://www.facebook.com/dr.luizcetl
Twitter: https://twitter.com/DrLuizCetl
 
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