domingo, 13 de agosto de 2017

Pai rico, pai pobre



A Dama de Ferro

Pai rico, pai pobre

Por Marília Fontes13/08/17

Diferentemente de Robert Kiyosaki, autor do best-seller de finanças pessoais “Pai Rico, Pai Pobre”, eu tive algum contato com educação financeira quando criança.

Não que meu pai fosse um exemplo de poupador…

Ele era um cirurgião cardíaco fantástico, com doutorado e tudo. Digo, era, pois hoje já está aposentado. Teve muito sucesso em sua carreira, embora isso não tenha significado grandes montantes em sua conta corrente.

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Era daqueles que tinha sede de viver. Lembro quando era pequenina, e ele me tirou da aula, junto com meu irmão, e nos levou a um aeroclube, para dar uma volta de avião! Ele certamente não tinha dinheiro para isso, mas queria aprender a pilotar. Quem segura? Lá estávamos nós, dando "tchauzinho" para a casa da vovó, no interior de São Paulo, a muitos pés de altura. Minha mãe tinha calafrios só de pensar em avião. Acendia umas cinco velinhas cada vez que ele saía voando por aí.    

Mais perto da minha adolescência, quando só eu havia criado juízo, ele reparou que aeroclube não cabia no bolso e tratou de inventar uma nova moda. Comprou um barco, aprendeu a navegar, e nos levava para diversas ilhas e atrações perto do Guarujá. Minha mãe também tinha horror a barco. Só aparecia quando era obrigada. Eu, por outro lado, adorava. Comecei logo cedo a mergulhar, e lá íamos nós. Claro que ele começou a fazer pesca submarina e mergulho em apneia. E claro que escreveu um livro sobre isso. Sério, pessoal, não dava para segurar o “rapaz”.

Óbvio também que o barco tinha um custo muito alto, e, meu pai acabou tendo que investir em um brinquedinho mais humilde. Adivinha?

Uma Harley-Davidson, é claro! Desse pelo menos a minha mãe gostava. Nada como a segurança do chão. Lá iam eles com suas jaquetas de couro, vivendo o lado bom da vida.

Numa certa época, lembro de ele dizer que tinha começado a investir em ações e que seu corretor havia recomendado alguns papéis. Isso foi um pouco antes da crise de 2008. Ele perdeu tanto dinheiro que nunca mais pisou na Bolsa.

E quem pode dizer que ele estava errado, não é mesmo?

Meu pai era o clássico “gastão”. Era só tomar umas caipirinhas a mais e liberava o cartão de crédito. Eu me aproveitava disso, claro! Como não?
  
Mas, apesar da generosidade, ele me ensinou desde pequena o valor do dinheiro.

Comecei bem cedo a receber mesada e ganhei um cartão de crédito. Ambos me foram dados sem nenhum conselho prévio, mas com limites bem pequenos. 

Óbvio que eu comprei mais do que deveria e dividi tudo em 12 vezes, até ter que ficar sem gastar nada pelos próximos 12 meses, com o cartão estourado.

Meu pai teve a coragem e a grandeza de se manter firme quando reclamei. “Combinado é combinado!” Não se esqueçam, pais, de que vocês são os grandes responsáveis por criar musculatura nas crianças. Amar é educar, não é mesmo?

Esse é o tipo de erro que você só comete uma vez na vida. Aprendi, e nunca mais errei. E meu pai me permitiu errar enquanto o estrago ainda era pequeno.

A partir dessa experiência, evoluí. Depois de zerar os gastos do cartão, poupei até ter um mês extra de mesada, então passei a pagar tudo no débito.

Avancei um pouco mais e comecei a economizar um pouquinho por mês. Minha mesada não tinha aumentado — mas eu me organizei para fazer sobrar mais.

Comecei a procurar informações sobre bons investimentos, frustrada com o retorno da poupança. E, assim, aos poucos, fui encaminhando minha vida financeira.

De consumidora-mirim quebrada a analista de renda fixa.     

No dia de hoje, queria lembrar a todos os pais que nos lêem da importância que vocês têm na vida financeira de seus filhos.

Independentemente de quanto você consegue segurar suas finanças, você tem total capacidade de ensinar educação financeira.

Pequenas liberdades funcionam. Imagino que conselhos antes de pequenas permissões caiam bem também.

Certamente você seria muito grato ao seu pai caso ele tivesse lhe explicado o poder dos juros compostos!

Meu marido e eu adotamos uma nova política lá em casa. As crianças podem escolher entre fazer festa de aniversário ou depositar uma parte do dinheiro em uma conta investimento. Fiquei abismada com a aderência delas. Entendem tudo!

Pequenos gestos, que dão à criança a chance de escolher e lidar com as consequências de suas escolhas, fazem uma diferença brutal no sucesso financeiro delas no futuro.

Comemore muito o dia de hoje, por toda a beleza que ele representa. Mas, amanhã, sente-se com seu filho (ou filha) e explique a ele (ou a ela) como cada 100 reais investidos hoje podem gerar 1.500 reais daqui a 30 anos.   

Ver os olhinhos deles brilharem enquanto se imaginam comprando um carro é lindo, e não tem preço.

Meus parabéns a todos os pais, avôs e padrastos. Que tenham um feliz Dia dos Pais!   




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