Breaking News

Silencioso e prevenível: por que vacinar contra o HPV na infância pode salvar vidas décadas depois



Campanha Julho Verde reforça a importância da imunização de meninos e meninas entre 9 e 14 anos e a atuação de médicos e dentistas na identificação precoce de lesões suspeitas.

O mês de julho é marcado pela campanha Julho Verde, dedicada à conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Entre os principais fatores de risco para essas e outras neoplasias malignas está o Papilomavírus Humano (HPV), uma infecção sexualmente transmissível amplamente disseminada, mas para a qual existe uma estratégia altamente eficaz de prevenção primária: a vacinação. No entanto, a baixa adesão à imunização na janela recomendada, entre 9 e 14 anos, continua sendo um desafio para a saúde pública no Brasil.

Até pouco tempo atrás, a maior parte dos dados sobre o impacto da vacina contra o HPV vinha de países de alta renda. No entanto, um estudo liderado pela Fiocruz, que analisou dados do SUS de mais de 60 milhões de brasileiras, trouxe evidências robustas da eficácia da vacinação no contexto da saúde pública brasileira. Os resultados mostraram uma redução de 58% nos casos de câncer do colo do útero entre mulheres jovens, de 20 a 24 anos, que foram vacinadas na adolescência, além de uma diminuição de até 66% na ocorrência de lesões pré-cancerosas, como a NIC 3, reforçando o impacto da imunização na prevenção da doença. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação precoce é a estratégia mais eficaz para evitar que o vírus cause alterações celulares no futuro. Uma dúvida frequente entre os pais é por que vacinar crianças e pré-adolescentes tão cedo. 

O médico Thiago Branco, Oncologista do Portal Afya, explica que a imunização nessa faixa etária garante uma resposta imunológica mais robusta e protege o indivíduo antes do início da vida sexual, período em que ocorre a maior parte do contágio.

“Um dos aspectos mais complexos do HPV é a sua capacidade de latência. O vírus pode permanecer "adormecido" no organismo por anos ou décadas, circulando silenciosamente sem qualquer sintoma aparente. Isso significa que uma pessoa pode ter sido infectada na juventude e só manifestar uma lesão precursora ou o próprio câncer muito mais tarde, já na vida adulta”, explica. 

Diante do caráter silencioso do vírus, o papel dos profissionais de saúde vai muito além do tratamento. Médicos e dentistas têm uma atuação crucial na identificação de lesões precursoras. No caso do câncer de boca e orofaringe, frequentemente associado ao HPV, o cirurgião-dentista e o médico generalista costumam ser os primeiros a notar alterações suspeitas durante exames de rotina. O mesmo vale para outras manifestações do vírus, como lesões no colo do útero e na região anogenital, que demandam acompanhamento ginecológico regular.

Para o especialista, o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico regular são fundamentais para interromper a evolução da doença. "Quando identificamos uma lesão causada pelo HPV em estágio inicial, as chances de cura e de um tratamento menos invasivo são muito maiores. Por isso, orientamos que a prevenção deve ser combinada: vacinação na idade correta, uso de preservativos e visitas periódicas ao médico e ao dentista para exames preventivos", afirma.

Como prevenir

A principal forma de prevenção é a vacinação contra o HPV, recomendada para meninas e meninos de 9 a 14 anos e disponível gratuitamente no SUS. A imunização também pode ser realizada por pessoas de 15 a 45 anos na rede privada. Complementam essa proteção a realização periódica do exame DNA-HPV para mulheres e a avaliação clínica da cavidade oral por médicos ou dentistas, procedimentos capazes de detectar alterações antes que evoluam para lesões malignas.

É fundamental estar atento a sinais de alerta como feridas na boca ou na região genital que não cicatrizam em até duas semanas, caroços no pescoço, dor ou dificuldade para engolir. Qualquer um desses sintomas deve ser investigado por um profissional de saúde sem demora. Além disso, manter hábitos saudáveis, evitando o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, contribui para reduzir o risco de câncer de cabeça e pescoço, especialmente quando esses fatores estão associados à infecção pelo HPV.


Sobre a Afya 

A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades promovendo pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. São 3.768 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC, com mais de 26 mil alunos formados nos últimos 25 anos. Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers. Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo “Valor Inovação” (2023) como a mais inovadora do Brasil e “Valor 1000” (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio “Executivo de Valor” (2023). Em 2024, a empresa passou a integrar o programa “Liderança com ImPacto”, do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar. Mais informações em: www.afya.com.br e ir.afya.com.br.

Fonte: Afya

Nenhum comentário

imagem de uma pessoa em frente a tela no notebook com a logo do serviço balcão virtual. Ao lado a frase indicando que o serviço