Sem resposta de empresas, rodoviários ameaçam parar no Círio
Evento religioso é no domingo (23). Categoria já realizou duas paralisações em menos de uma semana.
Os motoristas e cobradores de ônibus de Santarém, oeste do Pará, ainda aguardam o posicionamento das empresas de transporte coletivo sobre as reivindicações da categoria, como o aumento do abono salarial. Eles alertam que se não tiverem uma resposta até quarta-feira (19), devem realizar uma nova paralisação no dia 23 de novembro, quando será realizado o Círio de Nossa Senhora da Conceição.
Caso aconteça a paralisação no dia do Círio, os ônibus deixaram de circular por três horas. “Até a tarde desta quinta ainda não tivemos uma resposta dos empresários. A gente vai oficializar na segunda-feira (17) informando que podemos paralisar por três horas na quarta (19), quinta (20), sexta (21) e domingo (23). Sendo que no Círio vai ser no horário das 6h às 9h. Pode ser que até lá as empresas entrem em contato com a gente, mas se isso não acontecer não vamos ficar de braços cruzados. Estamos exigindo um direito nosso”, informou o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Celso dos Santos.
A categoria reivindica o aumento do abono salarial. Atualmente, os trabalhadores m R$60 de abono salarial e eles pedem que seja alterado para R$120.
Segunda paralisação
Os rodoviários realizaram a segunda paralisação em menos de uma semana, nesta quinta-feira (13). A primeira aconteceu na sexta-feira (7).
Com a paralisação, a frota de ônibus da cidade ficou duas horas, entre 11h30 e 13h30, sem circular e muitas pessoas ficaram sem poder retornar para casa ou ir para o trabalho ou escola nesse período.
As paradas de ônibus ficaram lotadas e quem precisou de transporte coletivo teve que esperar ou antecipar suas atividades. “Os ônibus estão parados e a gente tem o que fazer em casa, tem filho e é complicado”, reclamou a aposentada Maria Elza.
Escolas da rede estadual de ensino reduziram o tempo de aulas para facilitar o retorno dos alunos para casa. O diretor da Escola Frei Ambrósio, Marcos Santos, ressaltou que o a paralisação de ônibus acaba por influenciar o andamento das aulas e consequentemente podem prejudicar o aprendizado dos estudantes. “O fato de a gente não cumprir com o nosso conteúdo programático, com a nossa carga horária de trabalho é uma complicação. É conhecimento que o aluno deixa de adquirir”, disse.
“Os professores precisam passar prova, trabalhos e a gente não está conseguindo concluir tudo por causa dos ônibus. como a gente tem que sair mais cedo, então os professores perdem tempo”, contou a estudante Luciana Gomes.
SMT
Em entrevista à equipe da TV Tapajós, o procurador jurídico do município, André Lisboa, destacou o informe da Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito (SMT)
às empresas de transporte coletivo, que determinava que a frota de ônibus estivesse circulando normalmente nesta quinta-feira em Santarém. “Não é uma greve, se trata de uma paralisação de advertência. A orientação que nós demos é que a SMT notificasse as empresas. Já que não se trata de greve que ela permaneça fazendo o serviço normalmente com 100% de suas contingências. É uma situação que tem que ser resolvida entre as partes, empresas e empregados”.
Ainda segundo Lisboa, o aumento da tarifa de ônibus, que está sendo solicitado pelos empresários de transporte coletivo, ainda está sendo discutido pelo governo. “Os empresários querem vincular essa situação ao aumento da tarifa de ônibus, que é outra coisa que ainda está sendo discutida e sabemos que existe uma certa defasagem no valor, mas esse é um processo que está sendo discutido, que independe do pleito da relação existente entre esse conflito entre empregado e empregador”, declarou.
Para que tenha um aumento da passagem de ônibus ainda há necessidade que passe pela aprovação do Conselho Municipal de Transporte. “Para que haja aumento de tarifa tem que passar por reunião pela aprovação do Conselho Municipal de Transporte e depois desse valor acertado pelo Conselho Municipal vai para a sanção do prefeito que via dar a palavra final. Só que como havia um problema na verdade dentro do regulamento que estipula a composição do conselho, então o legislativo achou melhor fazer alteração dessa legislação, mudando a composição. Estamos esperando a conclusão dessa lei e a partir dessa nova composição vamos compor o Conselho Municipal para discutir o reajuste”, explicou Lisboa.
O G1 tentou contato Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo (Setrans) para saber posicionamento sobre a paralisação e a reivindicação dos rodoviários, mas até o momento não tive resposta.
Fonte: Santarém

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