Advogado é investigado por feminicídio em Santarém; Polícia Civil aponta inconsistências na versão apresentada e Justiça analisa manutenção da prisão
Por: André Oliveira - Santarém e Região — PA
Segundo as investigações, o advogado acionou os serviços de emergência alegando que Thainá teria atentado contra a própria vida após uma discussão seguida de luta corporal entre o casal. Entretanto, a narrativa apresentada foi considerada incompatível com os elementos preliminares colhidos no local pela equipe de investigação.
À frente do caso, o Delegado José Kleidson de Castro representou ao Poder Judiciário pela decretação da prisão temporária do investigado pelo prazo de 30 dias, sustentando que a medida é indispensável para assegurar o regular andamento da investigação criminal, a produção de provas técnicas e a realização de diligências complementares.
Conforme apurado, a autoridade policial argumentou que a manutenção da custódia do investigado busca impedir eventual interferência na instrução do inquérito, como possível influência sobre testemunhas ou ocultação de elementos probatórios relevantes para o completo esclarecimento dos fatos.
Indícios reforçam investigação por feminicídio
O pedido de prisão e o indiciamento pelo crime de homicídio qualificado, na modalidade feminicídio, foram fundamentados em diversos elementos periciais e circunstanciais que, segundo a Polícia Civil, enfraquecem a hipótese inicialmente apresentada pelo investigado.
Entre os principais aspectos destacados pela investigação estão:
- Incompatibilidade entre a lesão e a arma encontrada: a faca localizada sobre a mesa do apartamento possui características que, conforme análise preliminar, não correspondem às dimensões do ferimento identificado no tórax da vítima. Além disso, a posição e a trajetória da lesão são consideradas incompatíveis com a dinâmica de um ato autoinfligido, especialmente levando em consideração que a vítima era destra.
- Intervalo entre o ferimento e o pedido de socorro: equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e da Polícia Militar chegaram rapidamente ao local após o acionamento. Contudo, os primeiros atendentes verificaram que parte do sangue encontrado já apresentava sinais de secagem, circunstância que, segundo os investigadores, sugere um lapso temporal significativo entre o momento da lesão e a solicitação de atendimento médico.
- Vestígios de confronto físico: o apartamento apresentava diversos objetos e peças de vestuário espalhados, cenário interpretado pela perícia como compatível com a ocorrência de uma luta corporal anterior ao óbito, situação considerada incompatível com a hipótese de suicídio.
Depoimentos fortalecem as suspeitas
Além das evidências materiais, o depoimento prestado por uma irmã da vítima também passou a integrar o conjunto probatório reunido pela Polícia Civil.
De acordo com a familiar, o relacionamento era marcado por episódios recorrentes de conflitos, ciúmes excessivos e comportamento possessivo atribuído ao investigado. A testemunha também apresentou mensagens eletrônicas enviadas por Thainá poucas horas antes do ocorrido, nas quais a vítima manifestava temor em relação ao companheiro.
Ainda conforme o relato, Thainá não possuía histórico de transtornos psicológicos, tampouco havia demonstrado qualquer comportamento ou intenção relacionada ao suicídio.
Polícia busca ampliar a produção de provas
Com base na convergência dos indícios de autoria e materialidade, a Polícia Civil também requereu judicialmente a quebra do sigilo dos aparelhos celulares apreendidos no local, pertencentes ao investigado e à vítima.
A medida tem como finalidade reconstruir a cronologia dos acontecimentos, identificar eventuais comunicações relevantes para a investigação e verificar a existência de possíveis ameaças, conflitos anteriores ou indícios de premeditação.
Audiência de custódia
A legalidade da prisão em flagrante e a eventual conversão da medida cautelar permanecem sob análise do Poder Judiciário, durante audiência de custódia destinada a avaliar a necessidade da manutenção da prisão, observando-se o devido processo legal e as garantias constitucionais do investigado.
As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais e demais diligências para o completo esclarecimento das circunstâncias que culminaram na morte de Thainá Yarina dos Santos Cardoso.
Importante: Até eventual condenação definitiva, o investigado é presumido inocente, conforme estabelece a Constituição Federal, cabendo ao Poder Judiciário decidir sobre sua responsabilidade penal ao término do devido processo legal.
Fonte: Redação
Reviewed by awinformatica
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7/21/2026 08:24:00 AM
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