Programa desenvolvido pelo Senai Paraná e pelo Sistema Ocepar reuniu 38 cooperativas na primeira edição e prevê 35 vagas para a próxima turma. Transformar desafios do dia a dia em soluções tecnológicas é um dos caminhos para ampliar a competitividade das cooperativas. Essa foi a proposta dos cinco projetos de destaque da primeira turma do Programa de Residência em Inteligência Artificial, desenvolvido pelo Senai Paraná em parceria com o Sistema Ocepar. As iniciativas foram reconhecidas durante o Encontro Estadual de Inovação 2026, realizado nos dias 15 e 16 de outubro, no Aeroporto Internacional de Curitiba, em São José dos Pinhais. O evento também marcou o lançamento do edital para a segunda turma do programa, que deverá oferecer 35 vagas.
Os projetos premiados foram desenvolvidos pela Lar Cooperativa Agroindustrial, Coasul, Tradição, Unimed Medianeira e C.Vale. As iniciativas representam diferentes possibilidades de aplicação da inteligência artificial nos negócios e encerram um ciclo de formação que reuniu 38 cooperativas entre outubro de 2024 e outubro de 2026.
A proposta da residência é aproximar o conhecimento técnico das necessidades reais das organizações, oferecendo orientação especializada para que os participantes desenvolvam soluções aplicáveis aos processos das cooperativas. Ao longo da jornada, os profissionais trabalharam na identificação de oportunidades, na construção de modelos e no desenvolvimento de provas de conceito voltadas a desafios de suas áreas de atuação.
Para Leonardo Sanches, líder técnico do Hub de IA do Senai Paraná, o reconhecimento destaca o empenho das equipes e o trabalho realizado durante o programa. “Foi um momento muito especial para celebrar os resultados, reconhecer o trabalho dos participantes e marcar o encerramento de todo o processo do Programa de Residência em Inteligência Artificial”, afirma.
Da necessidade do negócio à aplicação da inteligência artificial
Entre os projetos reconhecidos, a iniciativa da Lar Cooperativa Agroindustrial conquistou o primeiro lugar. O trabalho utiliza inteligência artificial para apoiar decisões na cadeia avícola, com uma solução voltada à escolha dos locais de alojamento dos pintainhos. A proposta combina análise de dados históricos, modelos preditivos e otimização matemática para auxiliar a definição das melhores alternativas.
Na Coasul, o projeto desenvolvido por Daniel Luiz Sufiatti, programador da cooperativa e participante da residência, utiliza inteligência artificial para identificar automaticamente os produtos transportados em cargas de grãos. A solução classifica milho, soja e trigo a partir de imagens capturadas no calador, equipamento utilizado na coleta de amostras, contribuindo para tornar a identificação da carga mais ágil e automatizada.
Para Sufiatti, o acompanhamento dos especialistas do Hub de IA foi importante para superar desafios técnicos e ampliar a capacidade da equipe de desenvolver soluções para a cooperativa. “Esse apoio agilizou o processo e contribuiu muito para o nosso aprendizado”, conta.
Na sequência, os projetos da Tradição, da Unimed Medianeira e da C.Vale completaram a lista das cinco iniciativas reconhecidas. Em conjunto, os trabalhos evidenciam a diversidade de desafios que podem ser enfrentados com o uso da inteligência artificial e a importância de desenvolver soluções alinhadas às necessidades de cada negócio.
Para Silvana Mali Kumura, coordenadora do Instituto Senai de Tecnologias da Informação e Comunicação e do Hub de IA, a experiência foi além da formação técnica. O programa também estimulou a colaboração entre as cooperativas e a troca de conhecimentos entre profissionais que enfrentam diferentes desafios em suas organizações.
“Começamos com um grupo de 38 cooperativas, cada uma com seus próprios desafios, e terminamos essa jornada com uma rede de colaboração, troca de informações, experiências e percepções sobre a realidade de cada organização”, destaca.
Segundo Silvana, a integração entre teoria e prática é fundamental para transformar o conhecimento em soluções. “Não basta aprender os conceitos: é preciso aplicá-los continuamente”, afirma.
A parceria entre o Senai Paraná e o cooperativismo também foi ressaltada por Leandro Macioski, gerente de Desenvolvimento Humano no Sescoop. Para ele, a conexão entre as instituições contribui para fortalecer o ecossistema de inovação e ampliar as oportunidades de aplicação tecnológica nas cooperativas.
“Hoje, o Sistema Fiep é nosso principal parceiro quando falamos de inovação, conectividade e inteligência artificial. Essa parceria gera resultados para os dois lados: a indústria cresce, o cooperativismo se fortalece e todos avançam juntos”, afirma.
Novo edital abre caminho para mais cooperativas
Com a conclusão da primeira turma, o lançamento do edital para a segunda edição da residência busca ampliar o número de profissionais preparados para identificar oportunidades e desenvolver projetos de inteligência artificial no cooperativismo paranaense. A previsão é disponibilizar 35 vagas para a nova turma.
A mobilização das cooperativas será essencial para a formação do grupo. Macioski destaca, nesse processo, a importância do sponsor, ou patrocinador interno: um profissional que apoia a iniciativa dentro da organização e contribui para viabilizar o desenvolvimento do projeto, inclusive junto às lideranças.
“Mesmo quem não pretende participar diretamente do programa pode contribuir como sponsor de um profissional interessado na residência em Inteligência Artificial”, explica.
Para apresentar mais informações e esclarecer dúvidas sobre a iniciativa, o Sescoop realizará uma transmissão ao vivo no dia 30 de outubro. O edital será encaminhado às cooperativas, com apoio das equipes do Sescoop para divulgar a oportunidade e mobilizar os profissionais interessados.
Com a abertura de uma nova turma, a expectativa é dar continuidade a esse movimento, estimulando o desenvolvimento de projetos conectados às necessidades do setor e ampliando o alcance da inovação no cooperativismo paranaense.
Fonte: Senai Paraná




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