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O ‘DNA químico’ que deve proteger a exportação de madeira, carne e soja do Pará


O Pará consolidou-se como um dos gigantes do agronegócio brasileiro, ocupando posições de destaque na produção de soja e detendo um dos maiores rebanhos bovinos do país. Ser um grande produtor, porém, traz também grandes desafios: como provar para o mundo que cada saca de grão ou tonelada de carne que sai dos portos paraenses não tem ligação com áreas de desmatamento ilegal?

Até agora, essa prova dependia quase exclusivamente de documentos e rastreamento via satélite – métodos que, embora avançados, ainda deixam brechas para erros ou fraudes. Uma pesquisa liderada pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da USP (Universidade de São Paulo), promete mudar esse jogo através da química.

“Impressão digital” da terra

O estudo, intitulado “Transparência nas cadeias produtivas brasileiras de commodities agrícolas de exportação”, propõe uma solução definitiva: usar a própria composição do produto como prova de sua origem.

A ideia é simples: assim como cada pessoa tem uma impressão digital, cada região do Pará tem uma combinação única de minerais e elementos químicos no solo e na água.


Quando um pé de soja cresce ou um boi pasta em solo paraense, eles “bebem” essa identidade química. Os cientistas estão mapeando esses marcadores para criar um banco de dados que funcione como um “RG” da produção regional.

Por que isso é vital para o produtor paraense?

Para o Pará, que está no coração da Amazônia, a pressão internacional por sustentabilidade é constante. Países da Europa e da Ásia estão cada vez mais rigorosos, exigindo garantias de que os produtos importados não venham de áreas protegidas.

Com essa nova tecnologia, será possível pegar uma amostra de carne em um supermercado na China e, através de uma análise laboratorial, confirmar se aquele animal realmente veio de uma fazenda legalizada no sudeste do Pará.

Isso protege o produtor que trabalha dentro da lei, evitando que ele seja prejudicado por irregularidades de terceiros.

Combate a fraudes

O projeto, apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), foca em três pilares principais para o estado: carne bovina, soja e madeira.

Ao transformar a natureza em prova técnica, o estudo oferece às autoridades e ao mercado uma ferramenta de “metrologia forense”. Em linguagem simples: é a perícia científica entrando no campo para garantir que a transparência não fique apenas no papel.

A expectativa é que, nos próximos anos, essa metodologia se torne um padrão, dando ao agronegócio do Pará um selo de confiança inquestionável, baseado em fatos científicos e não apenas em declarações eletrônicas.

CommodityPosição do Pará (Nacional)Fonte de Dados
Rebanho bovino2º LugarIBGE / PPM
Rebanho de búfalos1º LugarIBGE
Soja9º ou 10º Lugar*CONAB / IBGE
Madeira nativa1º LugarIBGE (Extrativismo)

Referências do estudo:
Título: Transparência nas cadeias produtivas brasileiras de commodities agrícolas de Exportação: estudo holístico de marcadores elementares e isotópicos.
Instituição sede: Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) – USP.
Pesquisadora responsável: Elisabete Aparecida de Nadai Fernandes.
Apoio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Fonte: J. Carneiro

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