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Como a comunicação funcional ajuda crianças com TEA

A comunicação é um dos pilares mais desafiadores para quem tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas a atuação fonoaudiológica vai muito além da ‘correção da fala’. De acordo com a fonoaudióloga Noele Reis, docente do curso de Fonoaudiologia da UNAMA Santarém, o foco central deve ser a comunicação funcional, capacidade da criança expressar desejos, necessidades e sentimentos, seja de forma verbal ou por sistemas de comunicação alternativa.

Dicionários e enciclopédias

Para crianças não-verbais, o trabalho fonoaudiológico busca garantir meios eficazes de interação por meio da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA). Recursos como o Sistema de Comunicação por Troca de Figuras (PECS) e softwares de alta tecnologia permitem a construção de frases.

Conforme aponta a especialista, por meio dos softwares de alta tecnologia, também é possível a emissão de voz digital, promovendo maior independência e diálogo. Esses recursos dão voz a quem não fala, favorecem a socialização e reduzem comportamentos inadequados decorrentes da frustração por não ser compreendido.

Abordagem na seletividade alimentar

A recusa de determinadas texturas, cores ou cheiros de alimentos é uma queixa frequente no autismo, ligada a alterações no processamento sensorial e rigidez cognitiva. Noele Reis ressalta que a intervenção para ampliar o repertório alimentar ocorre de forma gradual e respeitosa, sem forçar a criança a comer.

“Trabalha-se em etapas progressivas: tolerar o alimento no ambiente, olhar, tocar, cheirar, levar à boca, experimentar e consumir”, detalha a fonoaudióloga. Paralelamente, o fortalecimento da musculatura da face, incluindo lábios, língua e bochechas, é essencial tanto para a precisão da fala quanto para a segurança nas funções de mastigação e deglutição.

Intervenção precoce e suporte familiar

A identificação de sinais de alerta nos primeiros meses de vida é fundamental para aproveitar a elevada neuroplasticidade cerebral da infância, fase em que o cérebro absorve estímulos com facilidade. Os pais devem observar marcos como o contato visual aos 3 meses, as primeiras palavras aos 12 meses e a formação de frases simples aos 2 anos. Qualquer desvio nesses prazos precisa ser considerado um sinal para avaliação especializada.

Nesse processo, a parceria com a família é o diferencial para transformar a rotina da casa em um ambiente estimulador. “O profissional atua como mediador e orientador dos pais, os capacitando para estimular a linguagem no cotidiano de forma natural e funcional”, afirma Noele.

Para as famílias que enfrentam a barreira do silêncio, a especialista reforça que a ausência de fala não significa falta de conexão. Os adultos precisam se adaptar à forma como a criança se comunica, seja por meio do olhar, de gestos ou expressões faciais.

“Muitos pais não conseguem vivenciar o momento presente por estarem constantemente preocupados com o futuro. Com isso, acabam deixando de perceber o olhar, o sorriso, a respiração e os pequenos gestos de conexão”, conclui a docente do curso de Fonoaudiologia da Unama Santarém.

Fonte: Unama

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