Justiça mantém presa advogada santarena investigada por ligação com o Comando Vermelho
A Justiça do Amazonas decidiu manter a prisão preventiva da advogada e professora universitária santarena Adriana Almeida Lima, investigada na Operação Erga Omnes por suposta ligação com a facção criminosa Comando Vermelho. O pedido de habeas corpus apresentado pela defesa durante o plantão judicial do fim de semana foi negado pelo desembargador Abraham Peixoto Campos Filho, do Tribunal de Justiça do Amazonas.
Adriana foi presa na última sexta-feira (20) sob suspeita de integrar uma rede de apoio à organização criminosa. Professora titular de Direito da Universidade do Estado do Amazonas, ela é apontada pelas investigações como peça estratégica para dar respaldo institucional ao grupo.
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Ao rejeitar o pedido de liberdade, o desembargador afirmou que a posição social e o reconhecimento profissional da investigada não funcionam como atenuantes. Pelo contrário, segundo ele, o prestígio acadêmico pode ter sido utilizado para facilitar a interlocução da organização criminosa com estruturas da administração pública.
De acordo com a Polícia Civil, Adriana teria atuado como uma espécie de “ponte” entre integrantes da facção e órgãos públicos, contribuindo para resolver demandas internas do grupo e tentar assegurar vantagens e proteção. Relatórios de inteligência a colocam como figura central em movimentações financeiras que, desde 2018, teriam alcançado cerca de R$ 70 milhões. Também é citada uma movimentação bancária pessoal considerada atípica, estimada em R$ 1,5 milhão.
Além da atuação na UEA, a professora já ocupou cargos na Assembleia Legislativa do Amazonas e coordenava o Núcleo de Prática Jurídica da universidade. A prisão causou forte repercussão em Manaus e em Santarém, no oeste do Pará, onde mantém familiares. Com duas décadas de residência na capital amazonense, Adriana era vista no meio acadêmico como profissional de destaque.
Ela está custodiada em um batalhão da Polícia Militar, prerrogativa prevista no Estatuto da Advocacia para advogados presos antes de condenação definitiva. O processo tramita em segredo de justiça.
Em nota, a UEA informou que não se responsabiliza por eventuais atos praticados por servidores fora do exercício de suas funções e reafirmou compromisso com a legalidade. A defesa da advogada ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações.



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